O MOVIMENTO DE CONSTRUÇÃO DOS PROJETOS PEDAGÓGICOSDOS CURSOS DO PROEJA NO IFES – VITÓRIA/ES: AVANÇOS, TENSÕES E DESAFIOS DE UM PROCESO POLÍTICO
O Instituto Federal do Espírito Santo é uma instituição de educação superior, básica e profissional, pluricurricular e especializado na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino. Sua missão é “Promover educação profissional, científica e tecnológica de excelência, por meio do ensino, pesquisa e extensão, com foco no desenvolvimento humano sustentável”[1]
A construção do Projeto Pedagógico dos Cursos do Proeja no Ifes-Vitória/ES assume a responsabilidade de oferecer educação e formação profissional assegurando ao jovem e adulto o direito anteriormente negado. E possibilita ao educador, sobretudo, entender a educação como estrutura da consciência ativa e assumi-la como pressuposto da cidadania.
Para legitimar as suas bases teóricas é necessário perceber o currículo escolar não só restrito às salas de aulas, mas estabelecer um vínculo entre o conhecimento prévio e a nova aprendizagem, ou seja, entender que esse educando traz consigo uma concepção de realidade pautada na experiência social, cultural, religiosa e profissional.
É evidente que a educação da EJA merece um currículo diferenciado. A aprendizagem alheia a realidade dos alunos provoca um abandono da escola. Assim, considera-se importante a função equalizadora, primeiro para que esses alunos consigam permanecer até a conclusão de seus cursos e segundo para que não se questione a qualidade padrão dos profissionais que se formarão.
Não se pode pensar o aluno, sendo do ensino regular ou principalmente da EJA, como ser homogêneo, e nem desconsiderar as necessidades profissionais, já que a o IFES tem como objetivo a formação de profissionais e quadros técnicos qualificados para o mercado de trabalho. Se não houver esse zelo, pode-se estabelecer uma ” educação de jovens e adultos ao longo da sua história, associando-a a uma formação aligeirada e de baixo nível, ou seja, uma educação pobre para os pobres.”[2]
Portanto uma das pautas de discussão seria a integração entre as áreas geral e técnica e entre as disciplinas, como incorporá-las ao currículo considerando a diversidade nas turmas da EJA. É sabido que a função equalizadora auxilia na descontextualização do aluno e sua recontextualização, proporcionando uma qualificação contínua e de qualidade, portanto se faz necessários fóruns que coloquem em pauta toda a estrutura do PPC e a pesquisa no campo da EJA, envolvendo professores e alunos, a fim de que trilhem caminhos a tornar o aprendizado escolar um ato democrático, libertador e emancipador dos sujeitos.
Outro fator que deve ser considerado é a acessibilidade à informação sobre a existência do PROEJA e a sua seleção. No primeiro momento a informação está disponível no site. Surge uma dúvida que tem acesso a internet? Infelizmente, nem todos. Segundo, depois de ler o edital on line, o trabalhador precisa ir até a unidade de ensino e assistir a uma palestra; ser bem sucedido em uma avaliação – Português e matemática. Pausa para outro questionamento: como ser bem sucedido em uma avaliação, se o educando esteve fora das salas de aulas por um longo período? Contudo acredita-se que essa forma de seleção já representa um amadurecimento no olhar destinado ao público-alvo da EJA. E será capaz de diminuir significativamente a evasão escolar.
Pensar a EJA como um processo evolutivo da legislação e um acesso a cidadania, é consolidar as novas bases da educação brasileira. Professora da UFES Dora, ministra das disciplinas Calculo I e Pré- requisito de Calculo II, em uma de suas aulas disse “para não deixarmos a soberba dos muitos anos de experiência atrapalhar a assimilação das novas informações que viriam no decorrer desse curso. Por acreditar que não haverá mudanças na educação brasileira enquanto não houver investimentos pesadíssimos no educador”.
Sendo assim, aos educadores, fica a responsabilidade de pensar políticas públicas que abarquem as necessidades do alunado e do professor, buscando investimentos para consolidar a EJA e fortalecer a oferta nos Institutos Federais.
Att. Grupo 3.
Referência Bibliográfica:
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